Coimbra: O que precisa saber antes de visitar (vá além da wikipédia)


Coimbra foi a primeira grande cidade portuguesa. Foi essencial na criação do Reino de Portugal. Era a capital do Condado Portucalense em 1111 e, dessa forma, a residência do Conde D. Henrique sua esposa, D. Teresa, os pais do grande D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

Torre da Universidade de Coimbra e escadaria principal
Torre da Universidade

Este guia pretende, antes de tudo, ajudá-lo a preparar uma visita à cidade de Coimbra. Para tirar mais partido de uma visita a uma cidade com uma herança histórica tão rica como Coimbra, é obrigatório conhecermos, ainda que superficialmente, os seus locais especiais. Certamente, olhar para um monumento, achá-lo bonito, tirar uma foto e passar ao seguinte é não aproveitar ao máximo a oportunidade que temos mesmo à nossa frente.

Por isso, propomos a leitura deste guia para contextualizar tudo aquilo que vai visualizar ao vivo.

Índice

História de Coimbra

Na história de Coimbra a nota que mais impressiona é a força da vida que ali nunca se interrompeu. Pode chamar-se aquela colina a das Sete Cidades, porque pelo menos sete foram as aglomerações urbanas diferenciadas que conheceu. A esta atual chamamos a Coimbra Universitária, mas não foi a Universidade que fez Coimbra. A anterior, a sexta, é a Coimbra Românica; a quinta a Coimbra Moçárabe; a quarta a da primeira reconquista ou neogótica; a terceira a visigótica; a segunda a romana; a primeira a primitiva.

Da cidade primitiva o único vestígio é o nome e a raiz céltica que se lhe atribui. Da romana, chamava-se Aeminium, julgou-se por muito tempo que nada restava. Mas, já no nosso século, descobriu-se que o Paço Episcopal, atualmente o Museu Machado de Castro, está assente sobre um enorme envasamento romano. Em suma, este envasamento é o conjunto de galerias que preenchia o desnível entre os terreiros onde hoje estão a Sé Velha e a Sé Nova. Dessa forma, estas galerias (o nome correto é criptopórtico) formavam um edifício subterrâneo que permitia colmatar o desnível oferecendo assim uma base plana para ali se instalar o fórum da cidade. Atualmente podem ser visitadas e, sem dúvida, são um dos mais emocionantes vestígios da arquitetura romana existentes em Portugal.

Em seguida temos a terceira Coimbra, a visigótica. Sabe-se que, ainda Aeminum, foi importante nessa época pois aqui cunhavam-se moedas de ouro. Desse modo, são conhecidas cinco emissões, duas no tempo do rei Recaredo (561-601) e, finalmente, outras dos reinados de Liúva II, de Sisebuto e de Chintila. Todos reinaram na primeira metade do século VII.

O nome Conímbriga é assumido

Posteriormente, com a conquista do Islão a cidade não interrompeu a sua vida. É provável que se tenha submetido sem luta, preferindo assim pagar o tributo. O domínio dos Mouros é pacífico até à primeira reconquista cristã, em 878 pelo rei Leão Afonso III. Como resultado, Coimbra é, durante mais de 100 anos, uma cidade cravada em terra de mouros. Se bem que, o que de mais importante sucede nessa época é a mudança de nome.

Entretanto, o bispo da antiga diocese de Conímbriga foi viver para Aeminium (por se sentir mais seguro). Por consequência, e porque naqueles tempos confusos os prelados eram as verdadeiras figuras de autoridade do estado, o nome Conímbriga foi assumido.

Coimbra cristã

Entretanto, no século X (ano de 981) os muçulmanos voltaram a entrar em Coimbra. Assim se mantiveram até à conquista definitiva por Fernando, o Magno, em 1064. É, assim, a esta nova Coimbra cristã, que ficou ligado o nome do Conde Sesnando, um moçárabe que fora em jovem levado para Sevilha e lá atingiu altos cargos. Foi ele que, entretanto, propôs a Fernando o Magno a conquista de Coimbra. E foi, desse modo, que ficou com o cargo de governado até ao fim dos seus dias.

Com o Conde Sesnando Coimbra cresce, assim, em paz e se desenvolve como charneira entre cristãos e infiéis.

Em 1111, o Conde D. Henrique e D. Teresa concedem carta de Foral à cidade, fazendo assim desta sua residência. Em 1131, D. Afonso Henriques transfere a Capital do Condado Portucalense de Guimarães para Coimbra, o que veio a revelar-se de extrema importância para a independência e fundação do Reino de Portugal, em 1143.

Capital do Reino

O reino de Portugal foi feito tendo Coimbra como capital. E foi por isso que D. Afonso Henriques e D. Sancho I a escolheram para última morada (igreja de Santa Cruz).

É por esta altura que algumas das construções mais importantes da cidade são iniciadas. Primeiramente, o Mosteiro de Santa Cruz, entre 1131 e 1150. De seguida a Sé Velha (na versão atual), entre 1162 e 1184. Temos ainda a Igreja de Santiago, em 1206. Mais tarde, em 1179, a igreja de S. Salvador (apenas resta o portal).

O município de Coimbra

Coimbra é também sede de um município com 319,4 km² dividido em 18 freguesias. Desse modo temos as freguesias urbanas, formando assim a cidade, que são: Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu), Eiras e São Paulo de Frades, Santa Clara e Castelo Viegas, Santo António dos Olivais e, finalmente, São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades. Temos ainda as freguesias sub-urbanas e rurais que são as seguintes: Almalaguês, Antuzede e Vil de Matos, Assafarge e Antanhol, Brasfemes, Ceira, Cernache, São João do Campo, São Martinho de Árvore e Lamarosa, São Silvestre, Souselas e Botão, Taveiro Ameal e Arzila, Torres do Mondego e, por fim, Trouxemil e Torre de Vilela.

Gentílico de Coimbra

Como se chama uma pessoa de Coimbra?

A um habitante de Coimbra chamamos um Conimbricense. No entanto, existem outros gentílicos utilizados. Coimbrense ou Coimbrão são nomes igualmente utilizados para caraterizar o habitante de Coimbra.

Um habitante de Coimbra é um Conimbricense.

Locais a visitar

Coimbra é uma cidade muito antiga. É afinal anterior à própria nacionalidade portuguesa. Dessa forma, existem dezenas de monumentos de elevadíssima carga histórica que contam a história da cidade e até de Portugal. Além disso, existem diversos espaços de lazer como parques e jardins, assim como museus e outros espaços que o vai fazer sentir parte deste magnífico ambiente.

Em primeiro lugar, se tem crianças (ou não), comece por visitar o PORTUGAL DOS PEQUENITOS. Sem dúvida, uma pequena lição de história que os seus filhos vão adorar.

É um parque temático que existe desde 1940. Vai, certamente, adorar ver miniaturas de edifícios portugueses onde as crianças, pelo menos, poderão entrar e brincar.

Portugal dos Pequenitos

Ver coordenadas ou obter direções no Google Maps

Para concluír, saiba que o Portugal dos Pequenitos está aberto ao público todos os dias da semana, das 10:00h às 19:00h. No momento em que este artigo está a ser escrito, o preço dos bilhetes era o seguinte: Crianças até aos 2 anos não pagam; dos 3 aos 6 pagam 6,50€; dos 14 aos 64 anos o preço é 10,50€; a partir dos 65 o preço passa a 6,50€. Existem, contudo, pacotes de família com descontos razoáveis.

Monumentos e Igrejas da cidade

Seminário Maior de Coimbra

Edifício de arquitetura italiana que inclui a igreja da Sagrada Família cuja cúpula é considerada uma das mais belas de Portugal. Pode decerto visitá-lo na Rua Vandelli (ver mapa)

Sé Velha de Coimbra

É na escadaria da Sé Velha que se realiza, todos os anos, a emblemática serenata que marca o início da mais conhecida festa dos estudantes, a Queima das Fitas. Além disso, é um edifício belo e imponente que terá, sem dúvida, que observar. Fica assim localizada no Largo da Sé Velha (ver mapa).

Torre da Universidade e Paço das Escola

É todo um conjunto monumental de inestimável beleza que certamente vai adorar. A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas da Europa, fundada em 1290 mas, transferida para Coimbra apenas em 1537. Dessa forma, veio a ocupar os edifícios do Paço Real. Ver no mapa.

Sé Nova de Coimbra e Colégio de Jesus

Colégio criado em 1542 pelos Jesuítas, foi no entanto adaptado a novas funções. A igreja do colégio passou a ser a Sé (sede da diocese de Coimbra) e o espaço do colégio foi, por consequência, transformado no Museu de História Natural. Temos um artigo específico dedicado à igreja da Sé Nova de Coimbra.

Sé Nova de Coimbra
igreja da Sé Nova

Mosteiro de Celas

Mosteiro fundado por D. Sancha, filha de D. Sancho I (2º rei de Portugal e filho de D. Afonso Henriques) em princípio no ano de 1221.

Claustros do Mosteiro de Celas

O Mosteiro de Celas está situado na Avenida Bissaya Barreto, 105 e pode, entretanto, visualizá-lo no Google Maps.

Elaboramos entretanto um artigo específico e detalhado sobre o Mosteiro de Celas. Não perca!

Torre e Arco de Almedina

Posteriormente ficou também conhecida por Torre da Relação. Esta foi a principal porta de acesso à antiga cidade muralhada de Coimbra. É provável que as suas fundações remontem à época de ocupação islâmica. Faziam parte do complexo defensivo de portas e torres que integravam a muralha. É atualmente a sede do Núcleo da Cidade Muralhada. Um Centro Interpretativo que se dedica sobretudo à recuperação da memória coletiva da antiga muralha da cidade.

Arco de Almedina, a principal porta da antiga muralha da cidade.
Arco de Almedina

A Torre de Almedina está situada na Rua do Arco de Almedina e poderá certamente visitá-la de terça a sábado, das 10:00h às 13:00h e das 14:00h às 18:00h. Ver no mapa

Mosteiro de Santa Cruz

Fundado em 1131, foi o local escolhido por D. Afonso Henriques e D. Sancho I para sua última morada. O Mosteiro de Santa Cruz foi inegavelmente um centro de estudos teológicos de relevância internacional, reconhecido pela sua vasta biblioteca bem como pelo seu scriptorium, onde os crúzios, se dedicavam à cópia de livros. Foram muitas as figuras que aqui estudaram; exemplo disso foram, Santo António, Luís de Camões, entre outros. Este é certamente um dos locais que vai querer visitar (ver no mapa).

Túmulo de D. Afonso Henriques na Igreja de Santa Cruz
Túmulo de D. Afonso Henriques na Igreja de Santa Cruz (Coimbra)

Outros monumentos interessantes

Seria demasiado exaustivo descrever todos os monumentos desta fabulosa cidade. Por isso, deixo-vos aqui uma lista dos mais importantes, assim como um link com as coordenadas. Poderá, dessa forma, visualizar a localização e outros detalhes no Google Maps.

Museus de Coimbra

Alguns dos monumentos anteriormente referidos são igualmente espaços museológicos.

Museu Municipal

O Museu Municipal divide-se em três polos – o Edifício Chiado, a Torre de Almedina e a Torre de Anto – e tem por missão investigar, compreender e divulgar temáticas que se relacionam com os núcleos museológicos e as suas coleções, para conhecimento e fruição do visitante, bem como promover o património histórico e artístico da cidade de Coimbra, com o intuito de sensibilizar o público para a sua preservação.

Museu da Ciência

Primeiramente foi a necessidade de requalificar o edifício do Laboratório Chimico (concebido para o ensino experimental da química e construído durante as Reformas Pombalinas) que fez nascer um museu que alberga as coleções ciêntificas da Universidade de Coimbra. Neste edifício localiza-se a exposição permanente “Segredos da Luz e da Matéria” que ilustra a história da ciência, através de experiências interativas e de suportes multimédia.

Museu da Ciência (Laboratório Chimico)
Museu da Ciência

Museu Nacional Machado de Castro

O museu ocupa o antigo edifício do Paço Episcopal, construído sobre o criptopórtico do fórum de Æminium que constitui a mais significativa obra romana, datada do século I, em território nacional.

O Museu Nacional Machado de Castro é, certamente, um dos mais importantes museus de belas-artes e arqueologia do país. Dessa forma, apresenta importantes coleções de pintura, escultura e artes decorativas, percorrendo uma história com mais de dois mil anos. (abrir mapa)

Museu Machado de Castro
Museu Machado de Castro

Outros museus de Coimbra

Parques e Jardins da cidade

Passear por Coimbra não é só ver história, igrejas e monumentos. Terá certamente que descansar ou apenas relaxar um pouco. Sente-se num banco de jardim e inspire a natureza e a paisagem. Aqui estão alguns dos espaços de Coimbra onde poderá finalmente relaxar.

Parque Dr. Manuel Braga (Parque da Cidade) [MAPA]

Pode, de facto, relaxar num banco de jardim. Por outro lado, pode também admirar os pequenos monumentos a homenagear os ilustres de Coimbra.

  • Busto de homenagem a Antero de Quental (1842-1891)
  • Monumento a Florbela Espanca
  • Homenagem a António Arnaut
  • Monumento a Manuel Alegre
  • Museu da Água
  • Coreto
  • Barca Serrana
  • Finalmente, o Monumento a Dr. Manuel Braga

Parque Verde do Mondego

O Parque Verde do Mondego, foi inaugurado a 10 de junho de 2004. Percorrendo cerca de 4 km da margem do rio, ocupa, na margem direita, uma área de 400.000m2, totalmente dedicada ao lazer com corredores para peões e ciclovias, por entre pavilhões com exposições temporárias. Destaca-se, sem dúvida, o Pavilhão Centro de Portugal, que representou Portugal na Expo 2000, em Hannover (Alemanha), e que foi projetado pelos arquitetos Eduardo Souto Moura e Álvaro Siza Vieira. (ver no mapa)

Parque de Santa Cruz

A entrada faz-se na Praça da República, através de um munumental pórtico, rematado ao fundo por uma bela cascata. O Jardim é atravessado por pequenos caminhos que cruzam o emaranhado de árvores culminando num grande lago circular. Ao cimo da escadaria encontra-se a Fonte da Nogueira na qual se destaca uma estátua representativa de um tritão abrindo a boca a um golfinho de onde a água jorra para uma concha. É este conjunto artístico que está na origem da designação popular de Jardim da Sereia.

Parque de Santa Cruz / Jardim das Sereias
Parque de Santa Cruz

Além disso, podemos ainda encontrar diversos monumentos, dentro do parque, a homenagear personagens ilustres.

  • Busto de Camilo Pessanha
  • Monumento a Cabral Antunes
  • Instalação Artística “O Mundo Fica em Silêncio” (4 cenários e 7 esculturas espalhadas pelo jardim)

Poderá ainda visualizar as coordenadas do parque aqui.

Miradouro do Vale do Inferno

O Miradouro do Vale do Inferno proporcioa, certamente, uma das melhores vistas sobre toda a cidade de Coimbra. (ver no mapa)

Coimbra vista a partir do Miradouro do Vale do Inferno
Vista de Coimbra

Jardins da Quinta das Lágrimas

Por fim, temos a sugestão da Quinta das Lágrimas. Uma das nascentes passou a ser conhecida por “Fonte dos Amores” e o canal por “Cano dos Amores”, por ter, segundo a lenda, transportado as missivas amorosas trocadas entre D. Pedro (neto da Rainha Santa Isabel) e D. Inês de Castro.

Temos, depois, a outra nascente, chamada “Fonte das Lágrimas”, local onde a lenda, iniciada por Luís Vaz de Camões, em Os Lusíadas, faz brotar da fonte as lágrimas que Inês chorou antes de esquartejada. Surpeendentemente, o sangue ficou preso às rochas do leito da fonte, tornando as águas avermelhadas ainda hoje!

Ver no mapa

Festas de Coimbra

Coimbra, da mesma forma que outras cidades portuguesas, celebra festas em homenagem à sua santa padroeira. As Festas da Rainha Santa Isabel são, acima de tudo, a mais genuína manifestação de veneração da cidade à sua Padroeira, esposa do Rei D. Dinis. As festas da cidade decorrem todos os anos, no início de Julho (dia 4) e, além disso, nos anos pares, o evento integra as celebrações em honra da Rainha Santa Isabel.

Queima das Fitas

É afinal a mais importante festa de estudantes de Portugal. Decorre na primeira semana de Maio e tem início no domingo, após as 12 badaladas, com a serenata na escadaria da Sé Velha fazendo ecoar a Canção de Coimbra.

Onde comer

Zé Manel dos Ossos

Restaurante típico português, com comida caseira e preços económicos. Uma experiência tradicional temperada com simpatia. Localizado no Beco do Forno

Arcadas

Localizado na Rua António Augusto Gonçalves (ver mapa), dentro da Quinta das Lágrimas, o Arcadas serve pratos sofisticados, bem apresentados e agradáveis. Saiba contudo que não é restaurante para todas as bolsas.

Sete Restaurante

Se pretende uma comida um pouco mais elaborada este restaurante é, sem dúvida, uma opção. Deixo aqui diversas sugestões de pratos para que fique, desde já, com água na boca:

  • Ovo escalfado, ervilhas e chouriço de Arganil (ENTRADA)
  • Bacalhau em crosta de salsa, esmagada de batata doce
  • Salmão corado em ervas aromáticas com couscous de tinta de choco
  • Vazia de novilho, batata recheada com queijo Rabaçal e legumes salteados

Similarmente, alerto que o Sete Restaurante é, do mesmo, bastante mais dispendioso que a opção Zé Manel dos Ossos. Se bem que o requinte é compensador. Está localizado na Rua Dr. Martins de Carvalho, 10 e poderá então utilizar o telefone +351 239 060 065 para efetuar uma reserva. (ver mapa)

Onde dormir

Existem excelentes opções para pernoitar em Coimbra. Com toda a certeza irá gostar de algum deles:



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Referências

Fotografias:

Informações diversas:

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Miguel Pinto

Sou o editor principal do site Cidades Portuguesas. Adoro explorar todos os pormenores que deram origem à riqueza cultural das povoações portuguesas. Neste site pretendo dar a conhecer as cidades através dos seus monumentos históricos, das suas igrejas, das suas gentes.

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