Mosteiro da Batalha


O Mosteiro da Batalha, ou melhor, Mosteiro de Santa Maria da Vitória, é o símbolo mais marcante da Dinastia de Avis.

Construído por iniciativa de D. João I, na sequência de um voto à Virgem, caso vencesse a Batalha de Aljubarrota (1385), as obras iniciaram-se logo no ano seguinte, sob direção do arquiteto português Afonso Domingues. Dessa fase resultou grande parte das estruturas da Igreja e duas alas do Claustro de D. João I.

Fachada principal do Mosteiro da Batalha
Fachada principal do Mosteiro da Batalha

Índice deste artigo

História do Mosteiro da Batalha

A crise provocada pela morte de Dom Fernando deu origem, sem dúvida, a um dos períodos interessantes da História de Portugal. A única filha do rei português, Dona Beatriz, tinha casado com o rei de Castela, Dom Juan I. E este era o argumento de Castela para, dessa forma, se apropriar da pequena nação portuguesa.

Muita da nobreza portuguesa cedeu de imediato. Mas o orgulho de uma nação independente corria nas veias do povo. E o povo encontrou na nobreza a sua voz. Um jovem de 27 anos, filho bastardo do rei Dom Pedro, meio irmão do falecido rei Dom Fernando. Era D. João, o Mestre de Avis.

E, quis o destino de toda uma nação, que, à força e determinação do Mestre, se associasse outro jovem excecional. Foi Dom Nuno Álvares Pereira, nomeado Condestável e Defensor do Reino, o estratega militar que surpreendentemente venceu batalha após batalha.

O dia de Aljubarrota

No entanto, no dia 14 de agosto de 1385, ao cair da tarde, na véspera de um dia santo (Nossa Senhora da Assunção), nos campos de Aljubarrota, o enorme exército castelhano ficava frente-a-frente com a aparentemente débil hoste portuguesa.

Diz-se que o Mestre de Avis teve uma visão mística antes da grande batalha. depois de ter dado um “grande espirro”, que tomou “por um grande agouro”, viu em sonhos a Igreja da Oliveira, de Guimarães. Foi dessa forma que percebeu que deveria rezar à Senhora da Oliveira. E assim o fez:

“…eu vos peço Senhora de grande mercê, assim como vós ao dito rei D. Afonso Henrique foste princípio deste reino, sejais a mim vosso devoto defensor dele.”

E foi a esmagadora e inesperada vitória portuguesa que fez com que o mestre, mais tarde rei D.João I, primeiro rei da dinastia de Avis, mandasse construir um grande templo. Um templo em honra a Nossa Senhora ao qual chamou Mosteiro de Santa Maria da Vitória.

O início da construção

A construção do monumento teve início dois anos mais tarde. A edificação, a pedido do confessor do rei, Frei Lourenço Lampreia, foi legado à Ordem Dominicana, à qual o monge pertencia.

Embora fossem consultados arquitetos estrangeiros, a direção do projeto foi entregue ao arquiteto português Afonso Domingues.

O plano geral do edifício foi o normalmente utilizado nas casas cistercienses. É, dessa forma, um edifício gótico evoluído.

Como alteração ao plano inicial considera-se apenas o acrescento da Saldo do Fundador e das Capelas Imperfeitas.

Alterações no período manuelino

O período manuelino não poderia deixar de tocar em tão famoso monumento. São destas épocas a riqueza e exuberância decorativa dos claustros , das Capelas Imperfeitas e de uma grande parte dos vitrais.

Duração da construção

O Mosteiro da Batalha iniciou a sua construção logo em 1387. Esta fase inicial das obras terá terminado por volta de 1436. No entanto, as obras prolongaram-se pelos reinados de D. Duarte, D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I. Foi, sem dúvida, no reinado deste último que a construção atingiu um maior desenvolvimento.

Descrição do monumento

Fachada Principal do Mosteiro da Batalha

A fachada principal do Mosteiro está orientada a poente, ao gosto e uso frequentes da idade média.

O portal que dá acesso ao templo é, sem dúvida, um documento de rara beleza arquitetónica. A nota dominante em todo ele é a harmonia das linhas e a riqueza das estátuas. Além da peça de grande interesse arquitetónico integrada no conjunto geral do edifício, pode considerar-se, também, o mais belo pórtico de todos os monumentos portugueses.

Infelizmente, nem o apostolado, nem algumas estátuas arquivoltas, são originais. O tempo e a friabilidade da pedra não permitiram que, em todas as esculturas, a expressão dos mestres chegasse aos nossos dias.

No entanto, das 78 esculturas das arquivoltas, grande parte são as primitivas.

As figuras estão distribuídas segundo os cânones da idade média, baseadas na Celeste Hierarchia de São Dinis e representam o corte celestial: anjos, arcanjos, profetas, patriarcas, os reis de Judá, virgens, confessores e santos de Agiológio.

No tímpano, e segundo a tradição inspirada na visão apocalíptica, está Cristo sentado no Trono de Majestade, entre os evangelistas São Mateus, São Lucas, São Marcos e São João, acompanhados dos seus símbolos.

Mais acima, no espaço delimitado pelas guias do arco canopial, um pequeno grupo escultórico representa a coroação da virgem. No remate do arco estão esculpidas as armas de Dom João I e de Dona Filipa de Lencastre.

Capela do Fundador

Ao entrar no templo vê-se, à direita, a Capela do Fundador. Foi mandada construir por Dom João I com o intuito o fim de servir de sua capela mortuária. É provável que tenha ficado concluída em 1434, ano em que aí foram sepultados o monarca e sua esposa, Dona Filipa.

É de planta quadrangular, encimada por um segundo corpo octagonal, que se apoia sobre oito fortes colunas. A cúpula estrelada é, sem dúvida, de efeito surpreendente.

Ao centro eleva-se assim o túmulo dos fundadores. Dom João I e Dona Filipa de Lencastre, os pais da ínclita geração. É uma arca tumular de extrema simplicidade, sobre a qual repousam as esculturas dos monarcas. Marido e mulher dão as mãos, sinal de amor eterno que sempre os uniu.

Túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre
Túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre

O Rei em traje de guerra, a Rainha envolta numa capa que cai em largas pregas.

Outros túmulos

Na parede lado sul, quatro arcos sólido abrigam o túmulo dos Infantes. Da direita para a esquerda:

  • o do Regente Dom Pedro e sua mulher, Isabel de Aragão, com a divisa desir;
  • o do Infante Dom Henrique, o “navegador”, fundador das escolas náuticas de onde saíram uma elite de navegadores (com a divisa Talant de biem fere);
  • o terceiro é o túmulo do Infante Dom João, com a divisa jeai bien resõ, acompanhado de sua mulher Dona Isabel, filha do Conde de Barcelos;
  • Finalmente, o último túmulo guarda os restos mortais do Infante Dom Fernando, o Infante Santo, como passou à história, com a divisa que bem o caraterizava: le bien me plet.

Do lado poente, três túmulos mais recente guardam os restos mortais de:

  • Rei D. Afonso V;
  • Rei Dom João II;
  • Príncipe Dom Afonso (filho de Dom João II).

Os vitrais desta capela, sem grande valor, estão datados de 1873. Apenas nas bandeiras das janelas restam alguns pedaços primitivos.

O Templo

De linhas sóbrias, elegantes, impõe-se pela altura da sua nave central, com 30 metros de altura, e pelo ambiente de espiritualidade que só o gótico nos consegue transmitir. Nas vastas e numerosas janelas ainda se conservam pequenos pedaços da vidraria primitiva. Contudo, as frestas da capela-mor guardam alguns vitrais do século XVI.

Vitrais do Mosteiro da Batalha

À entrada da igreja, ao centro, está sepultado, em campa rasa, Mateus Fernandes, o grande arquiteto do período manuelino da Batalha.

São 16 colunas e têm 2,65 metros de secção. A nave central mede 7,25 metros de largura e as laterais 4,75 metros.

No facial sul abre-se um majestoso pórtico, por cima do qual, e no lado de dentro, está a escultura de Nossa Senhora da Vitória, padroeira do mosteiro. Ilumina o transepto, do mesmo lado, uma janela de enormes dimensões.

Claustro Real

Entra-se pela porta que se abre na nave lateral, do lado do Evangelho. Mede 50×50 metros. O plano pertence certamente à fase do primeiro arquiteto do mosteiro, Afonso Domingues. A sua sobriedade inicial foi alterada na época de Dom Manuel I, em que as ogivas foram preenchidas com bandeiras de fino e rico lavrado, tanto ao gosto dos artistas do manuelino. A abóboda, tal como a da igreja, é de ogivas cruzadas.

No ângulo Noroeste encontra-se o Lavatório, junto à entrada do Refeitório. Este é atualizado atualmente como museu de oferendas ao Soldado Desconhecido.

Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha

É uma vasta sala quadrangular, de 19,30 metros de lado, rematada por uma abóbada de arrojada conceção, considerada por Bertaux “uma das maravilhas da arquitetura ogival”. Num dos ângulos, uma pequena figura esculpida na pedra mostra certamente o génio que concebeu e realizou tão grande maravilha.

A grande janela do fundo guarda um precioso vitral com temas da Paixão.

Sala do Capítulo
Sala do Capítulo

Nesta sala guarda-se o túmulo do Soldado Desconhecido de Portugal, que morreu nos campos da Flandres, na primeira guerra mundial.

Claustro de Dom Afonso V

Em seguida, ao passar do Claustro Real para leste vê-se, à direita, uma vasta sala conhecida por Sala de Dom Fernando, e que corresponde ao antigo celeiro ou adega do mosteiro.

Este claustro, certamente mais singelo que o primeiro, mede 44×50 metros e foi mandado construir durante o reinado de Dom Afonso V. É assinado pelo mestre Fernão de Évora, já na segunda metade do século XV.

Tem abóbadas de cruzaria simples e as chaves são rematadas com as armas reais de Dom Afonso V e suas divisas.

Capelas Imperfeitas

As Capelas Imperfeitas foram mandadas construir por Dom Duarte, filho de Dom João I, para seu túmulo e de seus descendentes. O seu nome de imperfeitas tem o sentido de incompletas.

Pensa-se que são da autoria do mestre Ouguet e a sua construção terá iniciado certamente por volta de 1435. Os trabalhos, entretanto, prolongaram-se. Só mais tarde, no período manuelino, é que Mateus Fernandes introduziu profundas modificações transformando, dessa forma, o aspeto do panteão.

Capelas Imperfeitas
Capelas Imperfeitas

De forma octagonal, tão ao gosto de Ouguet, dispõem-se as sete capelas à volta de uma rotunda. A oitava foi utilizada para nela abrir o maior e mais fantástico pórtico que o manuelino concebeu.

O pórtico do Mosteiro da Batalha

Gigante nas proporções, cerca de 15 metros de altura, apresenta-se como delicada filigrana, que mãos de fada trabalharam para o nosso encanto. Lavrado, dessa forma, no calcário fino da região, de tom aloirado pelo sol, lembra-nos um trabalho oriental.

As obras devem ter sido interrompidas por volta de 1533, já no período da Renascença, logo após a construção de uma lógia ao gosto da época, por cima do pórtico monumental.

Localização e como visitar o Mosteiro da Batalha

O Mosteiro da Batalha fica localizado no Largo Infante Dom Henrique, no centro da Batalha (mapa).

Localização do Mosteiro da Batalha
Localização do Mosteiro da Batalha

Horários:

16 de outubro a 31 de Março

  • Das 09h00 às 18h00 (última entrada 17h30)

1 de abril a 15 de outubro

  • Das 09h00 às 18h30 (última entrada 18h00)

O horário de funcionamento do Monumento pode ser prolongado mediante marcação prévia, em condições a acordar.

Encerrado: 1º de janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio e 25 de dezembro.

Horário dos Serviços Administrativos:

de 2ª a 6ª feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30

Bilhetes

Bilhete Individual: 6 €.

Bilhete Património Mundial (Alcobaça, Batalha, Convento de Cristo): 15 € – válido por 7 dias.

Bilhetes especias:

  • Visitantes com idade igual ou superior a 65 anos (devidamente identificados) – 50%.
  • Cartão de estudante e cartão ISIC: 50%.

ATENÇÃO: Entrada livre aos Domingos e feriados, durante todo o dia, para todos os cidadãos residentes em território nacional, não inibindo a possibilidade da adoção de um Bilhete Especial (“Bilhete Doação”), para os casos em que os visitantes queiram fazer uma doação de qualquer valor. Deverá ser apresentado documento comprovativo que ateste a residência permanente.

Os preços podem ser alterados a qualquer momento. Consulte a página oficial aqui.

Referências e bibliografia

Foi consultada a página oficial do Mosteiro da Batalha.

As descrições mais técnicas do monumento foram adaptadas de um pequeno livro intitulado:

  • Mosteiro da Batalha, Carlos Vitorino da Silva Barros, ed. 1978

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Miguel Pinto

Sou o editor principal do site Cidades Portuguesas. Adoro explorar todos os pormenores que deram origem à riqueza cultural das povoações portuguesas. Neste site pretendo dar a conhecer as cidades através dos seus monumentos históricos, das suas igrejas, das suas gentes.

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