Sé Catedral de Aveiro – Igreja de São Domingos


A Sé Catedral de Aveiro é um templo religioso instalado num antigo convento dominicano fundado no século XV. No entanto, do convento apenas subsiste a igreja e o perímetro da cerca, transformada em cemitério.

Sé Catedral de Aveiro

História da construção do Convento de São Domingos

Frei Luís de Sousa conta que um homem chamado Afonso Domingues, já muito velho e enfermo, um dia bateu à porta do paço do Infante Dom Pedro, duque de Coimbra e senhor de Aveiro.

O idoso, que há anos não saia da cama, viera ligeiro e bem-disposto anunciar ao senhor infante que lhe aparecera de noite Nossa Senhora. A mãe de Jesus mandara-o erguer-se, pegar numa enxada e segui-la. De seguida indicou-lhe o local preciso onde devia ser levantado um mosteiro de domínicos, e que traçasse no chão com a enxada o terreno que a Senhora apontasse.

Feliz com tudo isso, e para mais com a saúde recuperada, o velho pedia ao infante que tomasse as providências necessárias para que a obra acontecesse.

E, de facto, Dom Pedro tomou-as. Ofereceu terreno, ao que se juntou outro doado por aveirenses. Falou ao Prior do Mosteiro de Benfica para que destacasse frades e, desse modo, foi lançada a primeira pedra em 1423.

Logo no início das obras, o rei Dom Duarte, irmão do infante, concedeu ao convento importantes benefícios, confirmados pelo papa Eugénio IV.

O bispo de Coimbra Do Jorge de Almeida, em 1484 ou 1494, sagrou a igreja da Invocação de Nossa Senhora do Pranto; sucessivamente passou à de Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Misericórdia e de Nossa Senhora da Glória – esta em 1835, já como paroquial, após expulsão das ordens religiosas e para satisfazer a rainha Dona Maria II, cujo nome era precisamente Maria da Glória. No entanto, seria sempre conhecida por Igreja do Convento de São Domingos, ou igreja de São Domingos.

Atualmente é a Sé Catedral da cidade de Aveiro.

Fundação da Diocese de Aveiro

Em 12 de abril de 1774, o Papa Clemente XIV cria a Diocese de Aveiro, constituída essencialmente por território da extensa Diocese de Coimbra. O seu primeiro bispo foi Dom António Freire Gameiro de Sousa, deão da sé de Lamego e professor em Coimbra. O segundo bispo, Dom António José Cordeiro, é recordado antes de tudo pela coragem de mandar, em 1808, os eclesiásticos da diocese, seculares ou regulares, combaterem de armas na mão os franceses invasores.

Funcionou como Sé a Igreja da Misericórdia, ficando unidas ao bispado a Igreja Matriz de São Miguel e as das outras três paróquias, todas pertencentes até então à Ordem de Avis. Mais tarde, em 1826, seria a sé transferida para São Bernardino, igreja de um extinto recolhimento de terceiros franciscanos.

Demolição da Igreja de São Miguel

Na onda do liberalismo triunfante, em 1835, o governo civil de Aveiro mandou reduzir a duas as quatro paróquias da cidade demolindo assim as igrejas de São Miguel e da Esperança. Dom Manuel Pacheco de Resende, terceiro bispo de Aveiro, então com 88 anos e doente, não teve outro remédio senão aceitar.

Com a demolição da igreja de São Miguel, Aveiro perdeu o seu templo mais antigo. Sabemos que já existia em 1209.

Expropriação do convento

Em 1834 são expulsos os frades e o Convento de São Domingos é convertido em quartel militar. Quis a divina providência que um violento incêndio, em 1843, destruísse o convento, reduzindo a cinzas a livraria monástica, celas, cozinha, refeitório. No entanto, talvez por milagre, a igreja ficou incólume.

Descrição da Igreja de São Domingos, Sé de Aveiro

Adaptada então às funções de Sé, a igreja de São Domingos foi alvo de remodelações recentes. O responsável, arquiteto Abrunhosa de Brito, fez um trabalho notável. A transformação da cabeceira e do transepto valorizou surpreendentemente o espaço interior da igreja. Do mesmo modo, a forma como as pinturas e outras obras de arte ficaram enquadradas dignificaram-nas. A iluminação, o dimensionamento, o ambiente, os trechos conservados, tudo concorre para fazer da sé catedral de Aveiro um exemplo de como se deve conjugar elementos arquitetónicos antigos com conceitos mis atuais.

A fachada

A fachada maneirista foi remodelada no século XVIII, dado que o portal, com a data de 1719, apresenta uma linguagem claramente barroca, tal como o remate do alçado. Desta composição sobressai a dupla colunata pseudosalomónica que ladeia o portal, o brasão da Ordem Dominicana, e ainda as figuras da Fé, Esperança e Caridade, sobre o referido pórtico.

A torre sineira conserva ainda o sino original. Foi construída em 1860.

Capelas laterais

No interior, as capelas laterais remontam a épocas diferenciadas, integrando elementos decorativos de vários períodos, desde o século XVI, como é o caso do túmulo de Dona Catarina de Ataíde, falecida em 1551, ou a capela funerária instituída em 1559 por João de Albuquerque, então Senhor de Angeja, e cujo túmulo se encontra atualmente no Museu de Aveiro.

Entre os muitos exemplos que poderíamos citar, sobressai, numa das capelas laterais, o retábulo em calcário, do século XVI (1559) e de fabrico coimbrão, que representa a Visitação, os tetos com pinturas de gosto renascentista que ainda se observam nas capelas absidais, ou algumas imagens maneiristas, como a de Nossa Senhora do Rosário.

Uma das capelas laterais da igreja de São Domingos

Todavia, muitos dos retábulos apresentam uma linguagem da época barroca, remontando à campanha do século XVIII. Neste contexto, não poderíamos deixar de fazer referência ao denominado Cruzeiro de São Domingos, na primeira capela do lado da Epístola, datável do final do século XV. A sua réplica pode ser admirada o adro do templo desde 1978. Na nave da igreja existem dois púlpitos, de 1699 e 1745, em pedra de Ançã, bem como diversos painéis de azulejo setecentista, oriundos do ciclo coimbrão de Sousa Carvalho.

Retábulo-mor

Finalmente, o retábulo-mor de talha policromada e feição rococó, provém da demolida igreja de Vera Cruz. Do retábulo original apenas conhecemos a descrição de Frei Lucas de Santa Catarina, que nomeia uma série de esculturas que deverão corresponder às que ainda se observam, dispersas, pela igreja.

Retábulo-mor da Sé Catedral de Aveiro
Retábulo-Mor

Ainda neste espaço inscreve-se o duplo cadeiral do século XVIII, com telas representativas de santos dominicanos nos espaldares.

Visitar a Igreja de São Domingos (Sé de Aveiro)

Como já foi referido, a Igreja de São Domingos é simultaneamente a Sé Catedral de Aveiro e a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Glória.

Pode encontrar este templo no mapa (google maps) aqui. O endereço é Rua Batalhão Caçadores Dez, nº 67 – 3810-064 Aveiro.

Deve visitar a igreja fora do horário das celebrações religiosas de forma a não incomodar a oração.

Horário das Missas

  • Aos domingos: Às 8:30h, 10:30h, 12:00h e 19:00h.
  • De segunda a Sábado: Às 8:30h e às 19:00h

Referências

Miguel Pinto

Sou o editor principal do site Cidades Portuguesas. Adoro explorar todos os pormenores que deram origem à riqueza cultural das povoações portuguesas. Neste site pretendo dar a conhecer as cidades através dos seus monumentos históricos, das suas igrejas, das suas gentes.

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