Este guia da cidade de Viseu pretende dar-lhe a conhecer resumidamente esta bonita cidade. Desta forma irá retirar maior proveito da visita que certamente lhe fará.

Neste artigo
- Caraterização da cidade e do município
- História de Viseu
- Como chegar
- Locais a Visitar
- Festas e romarias
- Informações importantes
- Referências, créditos e bibliografia
Caraterização da cidade e do município
Viseu é uma cidade portuguesa localizada no centro do país, na antiga província da Beira Alta. É capital de distrito e sede de um concelho que se estende por uma área superior a 500 Km2, dividida por 25 freguesias com uma população total de 99.693 habitantes (Censos 2021). Viseu, ao contrário da média do país, cresceu ligeiramente em relação ao último Censos (2011) onde registava apenas 99.274 habitantes.
Freguesias de Viseu
| Freguesia | Habitantes (2021) |
| Abraveses (expansão urbana) | 8 356 |
| Barreiros e Cepões | 1 395 |
| Boa Aldeia, Farminhão e Torredeita | 2 361 |
| Bodiosa | 2 840 |
| Calde | 1 271 |
| Campo (expansão urbana) | 4 806 |
| Cavernães | 1 337 |
| Cota | 796 |
| Coutos de Viseu | 1 500 |
| Fail e Vila Chã de Sá | 2 514 |
| Fragosela (expansão urbana) | 2 533 |
| Lordosa | 1 644 |
| Mundão (expansão urbana) | 2 412 |
| Orgens (expansão urbana) | 3 668 |
| Povolide | 1 582 |
| Ranhados (expansão urbana) | 5 885 |
| Repeses e São Salvador (expansão urbana) | 6 766 |
| Ribafeita | 1 084 |
| Rio de Loba (expansão urbana) | 9 018 |
| Santos Evos | 1 477 |
| São Cipriano e Vil de Souto | 1 700 |
| São João de Lourosa | 4 696 |
| São Pedro de France | 1 219 |
| Silgueiros | 2 957 |
| Viseu (centro) | 25 876 |
História da cidade de Viseu
Associa-se a história de Viseu à vida do herói lusitano Viriato porque se pensa que esta figura histórica terá aqui nascido.
Mas quem foi Viriato?
Viriato foi líder do povo Lusitano entre 147 e 139 a.C., num tempo em que os romanos conquistavam a Península Ibérica submetendo todas as civilizações ao seu domínio. Foi um símbolo da resistência ao invasor. Tinha excecionais capacidades de liderança, tendo sido vencido apenas pela traição de aliados.
Por em Viseu existir uma fortificação importante denominada de “Cava de Viriato”, levou à sua atribuição, no século XVII, às lutas entre Viriato e o exército romano. Dessa eventual relação resultou uma ligação de Viriato a Viseu, consagrada no monumento a Viriato realizado pelo grande escultor espanhol Mariano Benlliure, em 1940 e instalado junto à Cava.

Independentemente da cronologia da Cava, que diversos investigadores tendem atualmente a atribuir ao século X, o monumento a Viriato tornou-se um ex-libris da cidade e a imagem que mais facilmente associamos hoje a Viriato.
A cidade de Vissaium
Vissaium era o nome romano da atual cidade de Viseu, como revelou uma epígrafe descoberta em 2009. Foi capital de ciuitas, provavelmente dos Interannienses, referida por Plínio entre as ciuitates stipendiariae da Lusitânia e mencionada, da mesma forma, numa inscrição na ponte de Alcântara.
A cidade romana, fundada em época de Augusto, ocupou um morro onde estava instalado um importante povoado da Idade do Ferro tendo em conta os vestígios até agora descobertos.
Esta ciuitas com sede em Viseu (Vissaium) dominaria um extenso território: a sul, no Mondego, confinaria com a splendidissima ciuitas, com capital em Bobadela (Oliveira do Hospital); a norte estenderia o seu território talvez até às serras de Arada e Leomil, para além das quais estavam as ciuitates dos Paesuri (Cárquere, Resende), Coilarni (Lamego) e Arabrigenses (Paredes da Beira, São João da Pesqueira); a oriente tocava extremas, eventualmente na serra da Lapa, com a ciuitas dos Aravi (Marialva, Meda) e, mais a sul, nos contrafortes da bacia de Celorico da Beira (não muito distante dos atuais limites distritais entre Viseu e Guarda), com a dos prováveis Lancienses Transcudani (Mileu, Guarda); a ocidente estendia-se até às alturas da serra do Caramulo, como poderá atestar o terminus augustalis do Guardão (Tondela), confrontando nessa linha de cumeada com a de Talabriga (Cabeço do Vouga, Águeda).
A importância de Vissaium na Época Romana terá resultado, em grande medida, da sua posição estratégica. A sua localização geográfica permitia-lhe ser um ponto de encontro de estradas que ligavam várias cidades do norte da Lusitânia. Seria um verdadeiro nó viário central, para onde convergiam as estradas que partiam de todas as ciuitates em seu redor – atingindo talvez nove ligações diretas, sendo ponto de passagem, designadamente, da estrada imperial que vinda de Mérida e Cáceres, fazendo a travessia do Tejo na ponte de Alcântara e depois cruzando a serra da Estrela, rumava a Braga.
Essa centralidade estratégica de Vissaium teria reflexos na extensão da sua malha urbana. Os principais testemunhos da arquitetura privada correspondem a prováveis insulae encontrados na Rua da Prebenda, Rua do Comércio, Rua e Praça D. Duarte, Rua do Carvalho, e Loteamento do Quintal. Este papel de lugar central também se refletiria na monumentalidade da cidade, visível nos seus principais edifícios públicos, entre os quais se destacava o fórum, mas observável também na muralha, rodeando uma área considerável para uma cidade do norte da Lusitânia.
Após a ocupação romana
Após a ocupação romana da península ibérica, seguiu-se a elevação da cidade a sede de diocese, já em domínio visigótico, no século VI. No século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, como a maioria das povoações ibéricas e, durante a Reconquista da península, foi alvo de ataques e contra-ataques alternados entre cristãos e muçulmanos.
A cidade de Viseu teve especial protagonismo durante os séculos IX e X, momento em que as cortes dos reis católicos escolheram a cidade como capital do seu reino. Foi igualmente neste período que Almansor escolheu Viseu para, com o seu exército, planear e perpetrar os ataques às cidades de Leão, Astorga e Santiago de Compostela. Neste momento, a cidade deve ter conhecido a construção de dois monumentos simbólicos: o alcácer, no topo do morro da Sé e a Cava de Viriato.
A “Campanha das Beiras” desencadeada pelo Rei Católico, Fernando, o Magno, levou à conquista definitiva da cidade de Viseu em 1058. Desde então, esta cidade nunca mais foi ocupada por muçulmanos. Coube, no entanto, aos condes portucalenses D. Henrique e D. Teresa, que aqui estabeleceram a sua corte entre 1109 e 1128, a tarefa de projetar a futura cidade medieval através da construção do castelo, do palácio e da catedral.
Viseu desde a nacionalidade
Na sua generalidade, o urbanismo medieval desenvolveu‑se em torno da catedral estendendo‑se para lá da rua Direita, em pequenas casas de um ou dois pisos.
O século XIII correspondeu a um novo período de reformulação na colina da Sé. À catedral românica, ou do que restava dela, sucedeu uma nova campanha de obras tendo em vista a edificação de uma nova catedral de feição gótica. Para tal, foi necessário remodelar o antigo alcácer e proceder à demolição de algumas das habitações contíguas à fortificação viseense.
Com efeito, o bispo D. Egas decide reconstruir parte do alçado sul e melhorar o acesso ao templo através da abertura de uma porta para o adro da Sé.
O projeto do prelado viseense contemplou a edificação da catedral de estilo gótico ladeada pelo claustro dos cónegos, a sul, e por um pátio ou claustro do bispo, na vertente norte. A construção do novo templo decorreu até ao século XIV, um período especialmente difícil para a cidade de Viseu. Hoje em dia, conseguimos identificar alguns desses vestígios nomeadamente, o Portal dos Cónegos, o corpo da catedral com as suas imponentes colunas com os elegantes capitéis e a torre sul da fachada da catedral.
Crise de 1383-85
O século XIV revelar‑se‑ia determinante para a história de Viseu. A cidade encontrava‑se no meio de uma disputa peninsular pela coroa portuguesa que colocou à prova a resistência das suas gentes e das suas estruturas militares. As três incursões militares provenientes de Castela, no último quartel do século XIV, disseminaram o caos através dos saques e incêndios que levaram a uma quase total destruição do espaço urbano.
O peso da responsabilidade pela defesa da cidade recaiu no castelo e no alcácer que acolheu a população em tempo de guerra. A fidelidade do povo de Viseu à causa de Avis, conquistou benefícios para a cidade, nomeadamente através da concessão da carta de Feira, que deu origem à célebre Feira de São Mateus.
O 1º foral de Viseu foi no ano de 1123.
Como chegar
Automóvel
A25 (Aveiro – Viseu – Vilar Formoso)
Garante a ligação à A1 (IP1) e a Salamanca. Tem quatro saídas disponíveis para a entrada na cidade: Viseu Norte (IP5), Viseu (A24), Viseu/Nelas (EN231), Viseu Este (IP5).
A24 (Viseu – Chaves/Vila Verde da Raia – fronteira)
Via de ligação de Viseu à parte norte do distrito, a Vila Real e Espanha (Galiza). Existem quatro saídas disponíveis para a cidade: Mozelos (EN16), Viseu Norte (IP5), Viseu (A25), Fail (EN 2).
IP3 (Viseu – Coimbra)
Com início num dos nós da A1, o IP3 percorre os distritos de Coimbra e Viseu.
IP5
É usado para ligação a alguns pontos de Viseu e serve de circular à cidade.
EN229 (Viseu – Sátão)
Uma das entradas da cidade com mais tráfego. Liga, igualmente, ao Parque Empresarial de Mundão.
IC37 (Viseu – Seia)
Liga o nó da A25 em Viseu ao nó do IC6/IC7 em Seia – perfil de via rápida.
Estacionamento em Viseu
Quando chegar à cidade de Viseu, são várias as possibilidades de estacionamento. No Centro Histórico encontra vários lugares de estacionamento e paragem, para diferentes usos.
No entanto, sugerimos que estacione o automóvel num dos diversos parque de estacionamento existentes.
O parque subterrâneo do Largo de Santa Cristina fica a 5 minutos a pé do Centro Histórico. Tem ao seu dispor, do mesmo modo, o parque de estacionamento do Mercado Municipal, a cerca de um minuto a pé do Rossio.
Avião
O Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato, em Viseu, é ponto de partida e chegada de voos regulares, entre Bragança/ Vila Real/ Viseu/ Cascais (Tires)/ Portimão, de segunda-feira a sábado.
Consulte aqui o site da operadora aérea Sevenair, para informações de horários e tarifas.
Contacto do Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato: 232 459 849
Autocarro
Contacto da Central Municipal de Transportes: 232 427 493
Comboio
A região está atualmente servida pela linha férrea da Beira Alta, sendo as estações mais próximas Mangualde e Nelas.
Para mais informações, consulte aqui o site da CP.
O que visitar em Viseu
Viseu é uma cidade muito antiga. Por esse motivo, abundam os locais e monumentos históricos. Aqui listamos alguns deles que não pode perder.

- Sé de Viseu (Catedral de Santa Maria)
- Museu Nacional Grão Vasco
- Muralhas de Viseu Porta do Soar, Porta dos Cavaleiros
- Convento de São João de Tarouca
- Cava de Viriato / Estátua de Viriato
- Igreja da Ordem Terceira de Viseu
- Rossio
- Museu Almeida Moreira
- Casa do Miradouro
- Casa da Ribeira
- Funicular de Viseu
- Museu do Quartzo
- Igreja da Misericórdia
- Estátua do Rei Dom Duarte
Festas e romarias: A Feira de São Mateus
A maior festa da cidade e Viseu é, sem dúvida, a Feira de São Mateus.
Foi no ano de 1392, no dia 10 de janeiro, que D. João I emitiu a carta que criou a Feira Franca de Viseu. A nova feira franca anual teria iníciono dia de Santa Cruz (3 de maio) e a duração de um mês.
Foi ainda no reinado de Dom João I que se alterou a data para o dia de São Jorge (23 de abril) tendo sido transferida para VilaNova (na área da Cava de Virato).
Atualmente a feira realiza-se durante o mês de agosto no Pavilhão Multiusos de Viseu e toda a área circundante.
Consultar o site oficial.
Curiosidades sobre Viseu
Gentílico: a um habitante de Viseu chamamos um viseense.
Viseu é uma cidade com 5 letras. (Évora, por exemplo, també faz parte desse grupo)
Pertence ao grupo de cidades comçadas com a letra V.
Orago: São Teutónio
Feriado Municipal: 21 de setembro (São Mateus)

Referências, créditos e bibliografia
- A cidade romana de Viseu e os seus principais espaços públicos, Pedro Carvalho, 2020 – Revista Portuguesa de Arqueologia
- Viseu: O Fio da História, 2017, Edição da Câmara Municipal de Viseu
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